É que porra, é tanta coisa, é tanta bobagem e um deslizar mínimo da palavra que causa uma explosão venenosa, criando um problema todo. Eu sempre achei certas pessoas banais, um pouco idiotas e no fundo até interessantes, entendo a boa intenção de falar as coisas, mas não a falta de tato ao colocá-las. Sempre tão grosseira, tão fria e tão cruel a forma como tu expõe teus pensamentos e tu que só tem dentro da tua casa pessoas sensíveis, frágeis e que sim, choram por coisas tão pequenas, gente que chora inclusive quando tá com raiva. Eu não falo mais nada porque eu nunca expus com precisão tudo como eu penso, como eu sinto e tu não sabe nada de mim e o que tu sabe é o que tu pegou no ar, o que foi dito em qualquer conversa descontraída e tu ouviu, porque eu nunca te contei nada, eu nunca conversei contigo sobre nada e tudo que tu me lembra é um baú fechado e eu não tenho chave e nem força para abrir e eu nem quero mais. Todas as vezes que eu precisei, eu nem pensei em contar contigo e hoje eu conto menos ainda. Opa, na verdade, me corrigindo, eu nem conto. Eu arrumei ao longo dessa vida, com todos os meus desvios de caráter, minhas falhas humanas, umas pessoas boas, poucas mas fiéis e nossa, elas não me deixam por nada nesse mundo e eu aprendi a ter eles como base de tudo para mim e se não fossem eles, tanta coisa já teria se perdido, inclusive essa minha mania de depositar uma fé inabalável nas pessoas e no seu potencial. E eu já me acostumei tanto com essa história de só te ter para mandar em mim, para dizer o que eu tenho ou não que fazer e que tudo é errado, que eu nem te conto mais as coisas boas que eu tenho, as minhas poucas qualidades, tu só sabe meu desempenho acadêmico, minha capacidade de colaboração quando a gente tá num pé da conversa que eu tenho que começar a jogar as coisas na tua cara e tenho que delicadamente lembrar o quão bosta que tu é, e o quanto eu não preciso da tua ajuda para secar os pratos depois da louça. E olha, eu só te amo, porque eu tenho que te amar, porque é a lei da vida, porque tem que ser assim. Já não é de hoje que o meu santo não bate com o teu e que nem de longe tu é uma das pessoas que eu tenho vontade de abraçar e olha, acho que desde o último dia dos pais, eu nunca mais fiz isso. Veja bem, o quão importante tu é e foi tu que fez com que fosse assim.

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